O Feito por Preto é um blog sobre moda, cultura negra e streetwear. Em janeiro de 2026, o site foi alvo de um ataque de spam em larga escala: mais de 100 mil URLs maliciosas foram injetadas no domínio, entregando conteúdo em italiano para o Google, completamente desconexo do nicho do site. O resultado foi imediato: as imagens foram desindexadas e a reputação do domínio ameaçada.
Entrei no projeto para conter o estrago técnico, recuperar a indexação e proteger o site contra novos ataques.
Contexto inicial
O cenário encontrado era clássico de um hack de spam por injeção de URLs, uma das modalidades mais agressivas de Black Hat SEO aplicada contra terceiros.
O atacante injetou mais de 100 mil URLs no domínio via /index.php/ com slugs em italiano, como:
/index.php/Vespa-PX-Protezione-Fanale-Anteriore-80-200-Prima-Serie-1043343…
Essas URLs entregavam conteúdo de e-commerce parasita, produtos italianos sem qualquer relação com o site original. O Google rastreou, indexou e começou a associar o domínio a esse conteúdo.
As consequências diretas foram:
A investigação encontrou os seguintes efeitos no site:
- Páginas desindexadas: o Google removeu todas as páginas legítimas do site dos resultados de busca, incluindo os artigos que geravam tráfego nas principais palavras-chave do blog.
- Tráfego de imagem zerado: as imagens, que eram uma fonte relevante de visitas orgânicas, saíram completamente dos resultados do Google Imagens.
- Conteúdo malicioso indexado: as URLs italianas ocupavam o índice no lugar do conteúdo legítimo, fazendo o Google associar o domínio a produtos de e-commerce parasita em outro idioma.
- Backdoors ativos: arquivos maliciosos foram instalados no tema para manter o acesso do invasor mesmo após tentativas de limpeza.
- URLs legítimas retornando 404: algumas páginas e imagens foram deletadas ou corrompidas durante o ataque.
O site conta com apenas 40 URLs legítimas, um blog nichado e bem construído, que ficaram completamente ofuscadas pelas 100 mil URLs parasitas.
O que fizemos
O foco inicial foi conter o ataque e retomar o controle do rastreamento.
- Limpeza de arquivos maliciosos: removemos todos os arquivos de tema comprometidos e backdoors instalados pelo atacante. A limpeza foi cirúrgica para preservar o conteúdo e as configurações legítimas do site.
- Sinalização de remoção para o Google: aplicamos o status code 410 Gone em todas as URLs maliciosas. O 410 comunica ao Google que aquelas páginas foram removidas intencionalmente e de forma permanente, acelerando a remoção do índice comparado ao 404.
- Correção de SSL e protocolo: identificamos que todas as URLs de imagens no sitemap estavam sendo servidas em http:// mesmo com certificado SSL ativo (Let’s Encrypt, válido). Corrigimos as configurações do WordPress para forçar https:// em todo o domínio.
- Geração de sitemap de imagens dedicado: o sitemap do Yoast continha as imagens, mas com URLs em HTTP. Criamos um snippet customizado que gera um sitemap de imagens completo, com HTTPS forçado, no formato exato que o Google Search Console aceita.
- Mecanismos de segurança: instalamos camadas de proteção para impedir novos ataques do mesmo tipo, controle de acesso a arquivos sensíveis, monitoramento de integridade e restrições de execução em diretórios de upload.
- Submissão no GSC: enviamos o sitemap de imagens e solicitamos a reindexação manual das páginas principais via Inspeção de URL no Google Search Console.
Resultados
Em março de 2026, a recuperação da indexação ainda estava em acompanhamento. As verificações daquela etapa mostravam os primeiros sinais de retomada descritos a seguir.

Naquela etapa, as URLs maliciosas vinham sendo removidas do índice conforme o Google processava as respostas 410. O sitemap de imagens havia sido submetido e o Googlebot tinha iniciado o rastreamento das imagens legítimas.

O conteúdo original do site, artigos sobre moda negra, streetwear e cultura, voltou a ser o único conteúdo rastreável do domínio.
Conclusão
Ataques de injeção de URLs muitas vezes vem em formato de “perda de tráfego misteriosa”, o site continua no ar, aparentemente normal para o dono, enquanto o Google indexa milhares de páginas parasitas. Quando a invasão é vista, o site já está comprometido a longo prazo.
O conteúdo do Feito por Preto já existia e é bom. O trabalho foi destravar o que o ataque havia ofuscado.



